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ROSÁRIO, UMA COROA DE ROSAS


D. Murilo S.R. Kriegrer, SCJ
Bispo de Ponta Grossa, PR



No dia do aniversário de sua mãe, você gosta de vê-la feliz, muito feliz. Talvez fique pensando: Que presente vou lhe dar?
Não sei se há algum presente que dê mais alegria às mães do que um buquê de rosas. Rosas, muitas rosas, uma coroa de rosas: isso é o rosário.
É longa a história dessa oração. No início do século XIII, difundiu-se no Ocidente a prática da Ave-Maria — ao menos na sua primeira parte —, com a saudação do Anjo àquela que é cheia de graça e com o louvor que lhe prestou Isabel. Começou-se a rezar a segunda parte (Santa Maria, Mãe de Deus...) a partir de 1483.
O costume de rezar 150 Ave-Marias começou com os monges, nos mosteiros, que têm por ofício reunirem-se várias vezes por dia para rezar os Salmos. Acontecia, por vezes, haver no meio deles alguns analfabetos. Esses, em vez de rezar os Salmos, rezavam 150 Ave-Marias, divididas em três grupos de 50.
No século XIV, um monge cartuxo dividiu as 150 Ave-Marias em 15 dezenas. A partir do século seguinte, começou-se a meditar, em cada dezena, algum momento da vida de Jesus.
O rosário como temos hoje foi definido pelo Papa Pio V, no ano de 1569. Rapidamente, tornou-se uma oração de todo o povo cristão. Passou a ser rezado por ricos e pobres, por gente da cidade e do campo, de todas as idades e profissões.
A partir daí, todos os papas recomendaram, com belíssimas palavras, essa prece mariana. Lembremo-nos de dois. Pio XI dizia que, dentre as orações a Nossa Senhora, o rosário ocupa o primeiro posto. Para Pio XII, “o rosário é a síntese de todo o Evangelho, meditação dos mistérios do Senhor, hino de louvor, oração da família, compêndio da vida cristã, maneira de obter os favores celestes”.
O rosário é uma oração evangélica: do Evangelho nascem as orações e os mistérios contemplados, que apresentam as etapas fundamentais do mistério de Cristo, vistos do ponto de vista da Virgem Maria.
É uma oração cristocêntrica: louvando Maria, proclama-se Aquele que nela fez maravilhas em vista da encarnação de Seu Filho. Cristo é o centro do Rosário, pois meditamos sua encarnação, paixão e glorificação. Maria Santíssima nos deu Jesus; no rosário nos apresenta a vida de seu Filho.
É uma oração eclesial: Igreja é assembléia dos chamados à salvação, mediante a fé em Jesus Cristo. O rosário nos apresenta o plano de amor de Deus e solicita nossa adesão humilde e grata.
É uma oração simples: como tudo o que é divino, leva-nos à essência do mistério cristão. É a oração dos pobres, não só porque muito rezada por eles, mas também porque o coração humano é continuamente faminto e necessitado de Deus.
É uma oração contemplativa: ensina-nos a penetrar os mistérios da vida de Cristo, para que seu exemplo transforme nosso coração e o santifique.
É uma oração catequética: mostra-nos como cultiva, em nosso dia-a-dia, as atitudes de Maria diante da vontade de Deus.
É uma oração que respeita o ritmo de nossa vida, pois também ela é marcada por momentos alegres, tristes e de vitória.
Enfim, é uma oração criativa: obriga-nos a comparar nosso agir com o de Cristo (O que Jesus faria se estivesse aqui, em meu lugar?), nosso pensar com o Dele (Ele admitiria esse pensamento ou desejo que estou tendo?).
Nas escola de Maria, não há oração mais rica e bela. Por isso mesmo somos convidados a rezar o rosário cada dia, a rezá-lo sempre, oferecendo à mãe de Jesus uma belíssima coroa de rosas.

(Mensageiro do Coração de Jesus,
outubro de 1994, pp. 4-5)